| PORQUE PLANTAR ÁRVORES |
|---|
| Enviado em Thu 02 Apr 2009 por thiago tognozzi (607 leituras) |
|
Para manutenção da existência e da qualidade da vida humana (e de muitas outras formas), não temos amigos melhores que as árvores e suas comunidade, as florestas. A lista de benefícios que elas trazem para sustentação da vida é longa. As árvores e as florestas: - LIBERAM oxigênio para a atmosfera e absorvem o seu carbono (ambas funções essenciais para a regulação de clima no Planeta, e que têm sido rapidamente degradadas pela atividade humana); - FOTOSSINTETIZAM energia luminosa do sol, transformando-a em matéria viva verde, a qual compõe a base das cadeias alimentares planetárias; - LIBERAM núcleos de condensação no ar, que são necessários para a formação de nuvens de chuva, e subseqüentemente a precipitação destas; - PROVÊEM áreas de superfícies ideais para a condensação de água, que por sua vez recarrega os lençóis freáticos, em muitos casos mais do que as chuvas; - AJUDAM a manter, regular e estabilizar o clima tanto local, como regional e globalmente; - PROTEGEM o solo e lençóis d’água da erosão pelo vento, pelas águas e pelo sol, enquanto mantém a quantidade e a qualidade de água pelo aumento da recarga dos aqüíferos e lenta liberação desta para os rios; - ESTABILIZA riachos e rios, além de preservar as linhas costeiras; - PRODUZ grandes quantidade de matéria orgânica, a qual é a base da fertilidade do solo; fixa o nitrogênio atmosférico em formas utilizáveis por outras plantas; - CONDICIONA e segura o solo enquanto extrai nutrientes menos acessíveis dos solos mais profundos e os disponibiliza na superfície; - FORNECE alimento, cobertura, habitat e inúmeros materiais de construção para inúmeroas espécies, a nossa entre elas; - PRODUZ uma incrível série de itens que se pode colher e atribuir valor econômico, como frutas, castanhas, sementes, resinas, pigmentos, fibras, remédios, madeiras, etc; Esta lista poderia continuar, mas já dá uma idéia de como esses belos seres benfeitores são importantes para o nosso próprio bem estar. A acelerada distribuição maciça das florestas, em nome e em conseqüência de uma “economia” e colonização globais, é uma das maiores causas das alterações climáticas, da degradação dos solos e lençóis freáticos, desertificação, extinção de espécies e da pobreza. Para mantermos as condições de vida na terra da forma que a conhecemos, necessitamos de urgentes mudanças na nossa maneira de viver no planeta. Isto inclui conservar todas as florestas remanescentes no planeta e plantas muitas outras, para ajudar a reparar o estrago já feito por nós, auto intitulados Homo sapiens. O estabelecimento e o manejo de florestas para suprir nossas necessidades, bem como as de nossas espécies companheiras, é uma das coisas mais práticas e benéficas que podemos fazer por nós mesmos e pelo planeta. Os princípios e as técnicas para fazermos isto estão bem desenvolvidos na permacultura e nos movimentos ecológicos de manejo florestal. Muitos projetos (mas ainda bem menos que o necessário) espalhados pelo mundo são baseados em princípios ecológicos e enfatizam espécies nativas e multifuncionais e suas combinações em associações benéficas, ou “guildas”. Projetos como estes freqüentemente atuam em áreas onde o desmatamento, a erosão, a desertificação e suas conseqüências humanas já chegaram a sérias proporções. Em tais circunstâncias é um processo relativamente lento e para ter sucesso também deve considerar necessidades de sustento humano (como produção de alimentos, geração de renda, etc). Precisamos também desenvolver e aplicar estratégias de reflorestamento em larga escala, mais eficientes, modeladas sobre processos naturais dos ecossistemas. Contudo, a maioria dos programas atuais de reflorestamento depende de plantas produzidas em viveiros. Quando considerarmos o tempo/ energia/ dinheiro/ necessários para produzir árvores prontas para o plantio (seleção de sementes e processamento; preparação de substratos, plantio, regas, etc), é triste ver como freqüentemente este investimento é desperdiçado com o emprego de técnicas inadequadas de preparação do solo e/ ou em mau plantio, os quais impedem as plantas de crescer com vigor no seu local definitivo. Muitas morrem, outras ficam mirradas ou nunca alcançam seu potencial. Portanto, como nós trabalhamos para desenvolver sistemas mais eficientes de reflorestamento, vão aqui algumas recomendações para você empregar no seu plantio de mudas e assim aumentar em muito as chances de um bom início de vida para jovens árvores. Primeiro algumas considerações gerais: - Na maioria dos casos, as mudas devem ter atingido a altura de 40 a 40 centímetros nos viveiros para então serem plantadas. Você deve sincronizar crescimento ideal das mudas com a chegada da época das chuvas. - Quando as chuvas chegarem, plantas as mudas o mais cedo possível, para que as plantas tenham tempo suficiente para estabelecer um bom sistema radicular para suportar melhor a estação seca seguinte. - Plante na Luca certa. Afinal de contas, a sabedoria popular de observação dos ciclos lunares tem se mostrado bem fundamentada. - Tente plantas em dias nublados e frescos, ou pelo menos nas horas mais frescas do dia, cedo pela manhã, ou em final de tarde. Evite plantar sob calor de sol forte. Nem você nem as plantas precisam se estressar com o calor. - As espécies escolhidas devem ser majoritariamente nativas. As espécies não nativas deveriam ser funcionais ou produtivas, preferencialmente provenientes de ecossistemas correlatos, e selecionadas também, por sua adaptabilidade às condições do local (solo e clima). - Plante uma alta proporção de “pioneiras” pela sua capacidade de melhorar as condições do local (solo e microclima), e com isso de acelerar a sucessão para o seu “clímax”. - Plante policulturas, associações de espécies compatíveis e mutuamente benéficas, que sejam multifuncionais e mantenham uma estável produção diversificada. Princípios de design e estratégia estão bem delineadas na literatura sobre permacultura e reflorestamento ecológico. Mas isso é só um conjunto de dicas iniciais, uma vez que cada sistema sempre é único. - Plante mais densamente que a densidade desejada na maturidade do sistema (especialmente as pioneiras). O desbaste periódico, à medida em que as plantas vão crescendo, manterá uma ocupação favorável do local e gerará mais matéria orgânica, mulche e fertilidade para as plantas que permanecem, além de gerar produtos desejáveis. - Em muitas situações, a preparação do solo antes do plantio é muito importante, especialmente em solos fortemente erodidos, duros ou pedregosos. De acordo com o caso, as técnicas envolvidas podem incluir: 1-Canalização superficial em nível; 2-Abertura de canais de infiltração (swales); 3-Implantação de sistemas de micro coleta de água, como meia luas cavadas; - Desenvolvimento de um planejamento de “linha chave”. O objetivo destas técnicas é promover aeração, infiltração da água e acúmulo de matéria orgânica para auxiliar na recuperação do sítio e melhorar as condições de crescimento para as plantas. - O plantio para adubação verde é vital, durante ou imediatamente após o trabalho de movimentação de terra, para gerar uma cobertura rápida para proteger o solo e melhorar sua fertilidade, ao mesmo tempo em que ocupamos os espaços antes da chegada de voluntárias indesejadas que cumprem a função importante de colonizar o solo nu. - Por motivos óbvios é extremamente importante proteger nossas plantações das atividades humanas incompatíveis com esses sistemas: fogo e animais indesejáveis, especialmente o gado, carneiros, cabras e outros. De vez em quando poderemos ter alguns problemas com animais silvestres pastando (veados, roedores). Como alternativa para as cercas, ou guardas florestais individuais, aspergir as plantas com um bom repelente caseiro feito com cocô de gato e ervas amargas tem se mostrado eficiente e muito econômico em muitos casos. *Jefferson Mecham é permacultor no Equador (allpa@accessinter.net) ................................................................ Esta reportagem foi extraída da revista “Permacultura Brasil”, numero 9, ano 1, páginas 12 e 13, para fins didáticos. + informações www.permacultura.org.br |
| Índice :: Imprimir :: Enviar a um amigo |
Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.




