| NUTRIR O MUNDO SEM DESTRUIR O CLIMA |
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| Enviado em Mon 06 Jul 2009 por thiago tognozzi (276 leituras) |
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Se a agricultura emite dióxido de carbono, isto se deve, em grande parte, devido ao consumo de combustível fóssil via utilização de máquinas agrícolas e irrigação intensiva. Por exemplo, as emissões de carbono devido a queima de combustível fóssil na Inglaterra e na Alemanha, na agricultura, variam entre 0,046 e 0,053 toneladas por ano e por hectare (3) nos sistemas agrícolas não mecanizados. De forma indireta, a produção de adubos e pesticidas sintéticos, utilizados na agricultura intensiva, necessitam, igualmente, muita energia e, portanto, bastante combustível. No entanto a degradação dos solos é a principal responsável pelas emissões carbônicas de origem agrícola. A evolução das práticas agrícolas, segundo um estudo do Grupo Intergovernamental Sobre Mudança Climática, tais como o desmatamento, pastagem e, por conseqüência, a erosão dos solos, fizeram crescer as emissões de carbono de 0,4PG por ano (bilhão de toneladas) em 1850 para 1,7PG em 1990. (4) A agricultura intensiva fragiliza as camadas superiores do solo, degradando-as e liberando carbono. Sabendo-se que 1500 bilhões de toneladas de carbono estão contidas no solo a menos de um metro de profundidade, a proteção dos solos passa a ser, também, uma prioridade para o clima. Um relatório da FAO (5) estabelece que, se a agricultura abandonar seus métodos intensivos, tanto no norte quanto no sul, ela poderia ter o papel de sumidouro de carbono. A PRESERVAÇÃO DOS SOLOS – Quais são os métodos possíveis para preservar os solos? “Exposição zero do solo”, que quer dizer abstenção de lavrar a terra e colocação de palha... e “a maior parte dos métodos utilizados para combater a erosão visam a manutenção de um solo estável e a proteção das culturas com uma vegetação de cobertura semeada ao mesmo tempo que a própria cultura”. Esta técnica de associação de culturas permite assim não somente a proteção do solo frente a erosão, mas também o seu enriquecimento. Na América Latina, 45 mil camponeses adotaram como cultura de cobertura uma leguminosa, mucuna deeringiana, que permite adicionar de 35 a 50 toneladas de biomassa por ano ao solo. (6) O relatório da FAO preconiza, da mesma forma, a criação da matéria orgânica pela reutilização dos resíduos da cultura e os adubos verdes. A agricultura ecológica repousa sobre a riqueza da matéria orgânica e bane os adubos químicos. Em Bangladesh, na China e na América Latina foi demonstrado que as cultura ecológicas de arroz são de 15 a 20 vezes mais rentáveis para o camponês que o arroz irrigado cultivado nos Estados Unidos. A produção de cada tonelada de cereal ou de legumes oriundos da agricultura intensiva consome de 3 mil a 10 mil megajoules, enquanto que na agricultura sustentável, somente de 500 a mil megajoules são consumidos para a produção da mesma tonelada. (7) O relatório da FAO sublinha da mesma forma, a importânica da agrofloresta, que quer dizer a associação de plantações agrícolas a um meio florestal, evitando desmatamento e preservando a biodiversidade, ao mesmo tempo que aumenta a disponibilidade de solos para produzir mais alimentos: “a absorção de carbono pode ser muito elevada, de 2 a 9 toneladas de carbono por ano, segundo a antiguidade (15 a 40 anos).” Se estas mudanças forem realizadas no ritmo preconizado pelo Protocolo de Kyoto, a agricultura poderia absorver 1,3PG líquido de carbono atmosférico ao ano até 2010. Isto não dispensa a necessidade de reduzir igualmente a fonte de emissões de origem industrial! A agricultura respeitosa com os solos age como uma “multiplicadora de soluções”; ela permite lutar contra o efeito estufa, permite combater a fome pelo crescimento da produtividade agrícola e tudo isto em consonância com a preservação da biodiversidade. Corine Smith é redatora adjunta do redator chefe da L’Écologiste (edição francesa da The Ecologist). Artigo publicado na revista “Como nutrir a humanidade?”L’Écologiste, edição francesa da The Ecologist, junho de 2002. Tradução livre por Rejane Maria Ludwig. NOTAS DA AUTORA: (1) “Land use, land-use change, and forestry special report IPCC, 200, Cambridge University Press, citado no “Seqüestro de carbono terrestre para uma melhor gestão do solo”, relatório da FAO, 2001, Michael Robert, Instituto Nacional de Pesquisa Agronômica, Paris. (2) FAO, op cit. (3) Tebruegge, F. 2000. “No tillage visions – protection of soil, water and cimate Institute fos Agricultural Engineering” Justus-Liebig University, Giessen, Alemanha. Smith P, Powson, D.S., Glendenning J., and Smith, J.U. 1998 “Preliminary estimates os the potencial for carbon mitigation in European soils trough no-till farming”. Global Change Biology 4. (4) IPCC 2000, op cit. (5) FAO, op, cit. (6) Petersen, C., Drinkwater LA and Wagoner P 2000. “The Rodale Institute’s Farming Systems Trial. The First 15 Years” Rodale Institute, Penn. Esta reportagem foi extraída da revista “The Ecologist Brasil”, janeiro de 2003, páginas 18 e 19, para fins didáticos não comerciais. Reproduzimos a reportagem na íntegra em respeito à idéia autoral de quem escreveu o original. Os diversos pontos de vista expressos nestes textos não são necessariamente os da Casa dos Hólons. Entretanto, acreditamos que a diversidade de opiniões e idéias gera maiores debates e questionamentos, os quais enriquecem e aperfeiçoam a busca por um estilo de vida mais sustentável e natural. www.theecologist.com.br |
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