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PATRIMÔNIO GENÉTICO AMEAÇADO
  Enviado em Thu 06 Aug 2009 por thiago tognozzi (241 leituras)


A guerra está no prato. A ameaça está em cada produto alimentício que tem em seu processo produtivo a soja, ou derivados, como ingrediente, pois não sabemos se é ou não transgênica (soja roundup ready). Também lacticínios, ovos e carnes provenientes de animais que estão se alimentando com rações à base de soja podem estar contaminados com transgênicos.

É uma guerra, com o inimigo acercando-se por todos os lados.

Chega até a haver discursos altamente antagônicos à lógica. Na Colombia, agricultores que plantam cultivos ilegais tem suas terras pulverizadas com veneno glifosate, gerando sérios problemas de saúde. Aqui no Brasil, o glifosate (roundup) é defendido como produto inócuo e os agricultores que plantam cultivos ilegais têm indulgência total através de uma medida provisória.

Vivemos no temor de que já há transgênicos circulando na cadeia produtiva, mas não temos idéia de quantidades, origem ou nomes de infratores. Muitos defendem o uso indiscriminado desses produtos alienígenas, mas de fato não se sabe publicamente de nenhum nome de algum produtor que assuma ter plantado soja roundup ready.
Tudo parece ser uma pantomima criada com o objetivo único de se criar um fato consumado, o de que os trangênicos já seriam uma realidade entre nós, não havendo como barrar essa nova tecnologia.




SERÁ MESMO?

Há muitos interesses financeiros envolvidos. Há os que querem lucrar através da dependência econômica que a utilização de semente e herbicida, venda casada, por uma mesma empresa geram. Nada mais é que a criação de um mercado cativo em escala planetária, representando uma alta concentração de poder e renda. Há também os que querem lucrar com certificações caríssimas, que transformam a comida de qualidade em alimento somente para os ricos.

Os riscos são socializados entre todas as espécies. A possibilidade de contaminação genética de nossas ervilhas, feijões, e similares nativos é um pesadelo que paira sobre nós.

A necessidade de preservar nosso patrimônio genético e nossa biodiversidade fica cada vez mais premente.

Toda agricultura ecológica está sob risco de contaminação.

Quem irá ressarcir os produtores ecologistas dessa contaminação?

E os trabalhadores que na alimentação usavam a soja como matéria-prima para fazer tofu, por exemplo, e que abandonaram suas atividades por receio de estarem contaminando os consumidores? E o lucro cessante de toda essa cadeia alimentar?



QUEM VAI PAGAR A CONTA?

É a guerra no prato. Não há imparcialidade na questão. Você consome margarina? Cuidado! Você consome óleo de soja ou um biscoito que contém lecitina de soja? Cuidado! Tudo isto pode estar contaminado.
Mas não desanime, há solução. Local, simples e acessível.

Assuma responsabilidade na questão e adote a postura de consumir exclusivamente produtos que você saiba a origem. Deixar a tarefa de alimentar a quem você ama para as transnacionais é um equívoco absurdo e, na prática, é o mesmo que envenenar seus familiares. Assuma esta tarefa para si. Plante seu alimento, sempre que possível. Até em vasos pequenos se consegue cultivar alguma coisa. Ao comprar, procure alimentos ecológicos. Vá à feira. Conheça o rosto de quem planta o alimento que você consome. Discuta com ele o tipo de adubo que utiliza em suas verduras. Adubo químico, nem pensar! Adubo biológico de animais que comem soja contaminada? Negue também. Isto é amar sua família. O momento não é de discursos bonitos, mas de ação. Rejeite, boicote o que pode estar contaminado! Esta é a verdadeira atitude de precaução. O boicote dos consumidores é uma arma infalível, pois quem defende as tecnologias envenenadas está interessados apenas no lucro e se não houver consumidor, não há propósito de fazer a oferta. Afinal, somos nós que pagamos a conta.


Que o lucro não esteja acima dos valores humanos.




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Esta reportagem foi extraída da revista “The Ecologist Brasil”, edição outono de 2003, página 6, para fins didáticos não comerciais. Reproduzimos a reportagem na íntegra em respeito à idéia autoral de quem escreveu o original. Os diversos pontos de vista expressos nestes textos não são necessariamente os da Casa dos Hólons. Entretanto, acreditamos que a diversidade de opiniões e idéias gera maiores debates e questionamentos, os quais enriquecem e aperfeiçoam a busca por um estilo de vida mais sustentável e natural.
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