| DOCE MORTE |
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| Enviado em Fri 28 Aug 2009 por thiago tognozzi (506 leituras) |
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“Refinado”. De qualidade superior. O resultado de uma melhoria consciente. Mas não no caso do açúcar. O açúcar refinado é aquele do qual foram retirados os minerais e as vitaminas. O que sobra é puro carboidrato refinado. Uma vez que não contêm os minerais naturais presentes na beterraba ou na cana, o açúcar refinado retira do corpo, minerais e vitaminas preciosas, porque sua digestão, desintoxicação e eliminação impõem essa exigência ao organismo. Não surpreende, portanto, que na década de 1950, o doutor William Coda Martin tenha chamado o açúcar de veneno. O impacto repentino da ingestão em grande quantidade de açúcar rompe o delicado equilíbrio que é essencial para o funcionamento saudável de nosso organismo. Então, o corpo mobiliza ácidos neutros e minerais tais como o sódio (do sal), potássio e magnésio (das verduras) e cálcio (dos ossos) numa tentativa de restabelecer o equilíbrio ácido alcalino do sangue. Comer açúcar todos os dias piora o problema, produzindo um contínuo estado excessivamente ácido, que significa que mais e mais minerais serão exigidos do corpo para corrigir o desequilíbrio. Por fim, é tão grande a quantidade de cálcio retirada dos ossos e dentes que começam a surgir cáries e há um enfraquecimento geral do corpo. Açúcar em excesso acaba por afetar todos os órgãos do corpo. Inicialmente, ele fica armazenado no fígado na forma de glicose (glicogênio). Dado que a capacidade do fígado é limitada, a ingestão diária de açúcar refinado (acima da quantidade necessária de açúcar natural) logo faz o fígado inchar como um balão. Quando o fígado chega a sua capacidade máxima, o glicogênio em excesso retorna ao sangue na forma de ácidos graxos, que são levados a todas as partes do corpo e armazenados nas áreas mais inativas: a barriga, as nádegas, o peito e as coxas. Quando esses locais comparativamente menos importantes estão completamente cheios, os ácidos graxos, então, são distribuídos pelos órgãos ativos, tais como o coração e os rins. Esses órgãos começam a funcionar de modo mais lento, finalmente, seus tecidos começam a se deteriorar e se transformar em gordura. O organismo todo sofre com o funcionamento reduzido desses órgãos e a pressão sanguínea começa a atingir níveis anormais. O sistema nervoso parasimpático é afetado e os órgãos por ele controlados se tornam inativos ou ficam paralisados. (O funcionamento normal do cérebro raramente é lembrado como sendo tão biológico/ orgânico como a digestão). Os sistemas circulatório e linfático são invadidos e a qualidade dos glóbulos vermelhos começa a mudar. Há uma superabundância de glóbulos brancos e a formação de novos tecidos começa a diminuir. O poder de tolerância e de defesa do organismo torna-se mais limitado, de modo que não conseguimos responder adequadamente a grandes ataques, sejam o frio, o calor, mosquitos ou micróbios. Açúcar em excesso traz grandes efeitos prejudiciais ao funcionamento do cérebro. A chave para o funcionamento organizado do cérebro é o ácido glutâmico, um componente vital encontrado em muitas verduras. As vitaminas do complexo B desempenham um papel importante na divisão do ácido glutâmico, que produz uma resposta no cérebro de “continuar” ou “parar”. As vitaminas B são também produzidas por bactérias simbióticas que vivem em nossos intestinos. Quando açúcar refinado é ingerido diariamente, essas bactérias secam e morrem, e nosso estoque de vitaminas do complexo B fica muito baixo. Açúcar demais faz as pessoas ficarem sonolentas; nossa capacidade de fazer cálculos e lembrar coisas se perde. A energia imediata que a gente sente ao comer açúcar está baseada no fato de que a sacarose refinada não é digerida nem na boca nem no estômago; passa diretamente para o intestino e, de lá, para a corrente sanguínea. A grande rapidez com que a sacarose entra na corrente sanguínea causa mais mal do que bem. Açúcares de todos os tipos tendem a suspender a secreção de ácidos gástricos e têm um efeito inibitório sobre a capacidade natural do estômago de se movimentar. Quando ingeridos isoladamente, eles passam rapidamente pelo estômago até chegarem ao intestino delgado. Quando ingerimos junto com outros alimentos – talvez a carne e pão em um sanduíche -, permanecem no estômago por um tempo. O açúcar do pão e da Coca-Cola ficam ali com o hambúrguer e o pão aguardando para serem digeridos. Enquanto o estômago trabalha na digestão da proteína animal e do amido refinado do pão, a presença do açúcar praticamente garante uma rápida fermentação ácida sob as condições de calor e umidade existentes no estômago. Quando amidos e açúcares complexos (tais como os do mel e das frutas) são digeridos, são transformados em açúcares simples chamados “monossacarídeos”, que são substâncias possíveis de serem usadas pelo corpo. Quando amidos e açúcares são ingeridos juntos e sofrem fermentação, são transformados em dióxido de carbono, ácido acético, álcool e água. Com exceção da água, todas são substâncias úteis para o organismo – nutrientes. Quando proteínas são ingeridas com açúcares, elas se decompõem; são transformadas em uma série de ptomaínas e leucomaínas, que são substâncias que o organismo não pode utilizar – venenos. A digestão enzimática prepara os alimentos para serem usados pelo organismo. A decomposição feita pelas bactérias os torna inadequados para serem usados pelo organismo. O primeiro processo nos fornece nutrientes, o segundo nos fornece venenos. *William Duffy é autor de Sugar Blues, do qual esse artigo (originalmente publicado na “The Ecologist, novembro de 2003) foi adaptado. Esta reportagem foi extraída da revista “The Ecologist Brasil”, edição 2005, páginas 17 e 18, para fins didáticos não comerciais. Reproduzimos a reportagem na íntegra em respeito à idéia autoral de quem escreveu o original. Os diversos pontos de vista expressos nestes textos não são necessariamente os da Casa dos Hólons. Entretanto, acreditamos que a diversidade de opiniões e idéias gera maiores debates e questionamentos, os quais enriquecem e aperfeiçoam a busca por um estilo de vida mais sustentável e natural. |
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